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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Viciadas em paixão



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Existem mulheres que não conseguem ficar sozinhas... Você é uma delas?

por Carolina Mouta |


"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!" 
 
Florbela Espanca




Ai, a paixão! Quem nunca ficou à mercê deste sentimento que espalha calafrios pelo corpo e faz o coração palpitar mais forte? Segundo os neurocientistas, o organismo dos apaixonados produz grandes doses anfetaminas naturais como dopamina, norepinefrina e feniletilamina. São elas as responsáveis pela euforia típica que tira os nossos pés do chão, mas também podem causar dependência. Isso explica o comportamento das pessoas incapazes de relacionamentos amorosos duradouros, sempre à procura de novas aventuras, que saltam de um parceiro para o outro. Elas são viciadas em paixão. 


Você está realmente apaixonada? Faça o teste!



Você sabia que o vício de paixão está ligado ao vício de adrenalina? As pessoas dependentes de paixão "amam" essa sensação provocada pela adrenalina no corpo. Elas gostam da sensação de gostar, de apaixonar-se.

“A paixão é um estado alterado da consciência e pode ser bastante perturbador. O nível do sentimento pode chegar a um estágio que dizemos ser patológico, ou seja, doentio”

Para a antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Mirian Goldenberg, esta busca ininterrupta pela paixão faz parte de toda mulher. "De certa forma, todas nós somos viciadas em paixão, somos educadas para acreditar que é possível viver permanentemente apaixonadas e queremos isso. Somos educadas pelas novelas, filmes e romances a acreditar na paixão. Mas, na vida real, ela dura pouco com o mesmo parceiro. Assim, buscamos novas paixões, acreditando que elas podem durar. Não duram e o processo continua", explica.

Mirian diz, ainda, que este é um sintoma do comportamento contemporâneo. "O vício pela paixão é um fenômeno cultural e se torna um imperativo na sociedade moderna que valoriza o novo, a aventura e as experiências intensas". Já para a psicóloga Ana Cristina Calil, na maioria das vezes, este comportamento pode ser uma forma de não querer lidar com a dor. "As pessoas estão cada vez mais reativas, com medo de se relacionar. A troca de parceiros aponta para o medo de sofrer, de amar, como se houvesse uma correlação entre os dois", afirma a especialista.

E o pior: este temor é inconsciente. "Estas pessoas nem sempre reconhecem o medo. Ele está encoberto. As pessoas agem sem pensar. É uma forma de proteção", garante Ana Cristina. A psicóloga Clarissa Fernandes também chama atenção para as frustrações do passado. "Falhas na formação emocional básica do indivíduo, em especial na capacidade de suportar frustrações, podem ser a causa deste comportamento apresentado por algumas pessoas", esclarece.

Clarissa ainda alerta para os perigos da paixão. "A paixão é um estado alterado da consciência e pode ser bastante perturbador. O nível do sentimento pode chegar a um estágio que dizemos ser patológico, ou seja, doentio", adverte.

Vamos, então, usar duas nomenclaturas para diferenciar os tipos de paixão: a "paixão doentia" não evolui para o amor, pois se trata de um sentimento provocado por carências e dificuldades emocionais do indivíduo. Já a "paixão normal" é o enamoramento, que pode (ou não) evoluir para um amor maduro, saudável e duradouro. Este tipo de paixão é um sentimento agradável, que traz a sensação de felicidade.

Como dá para perceber, quando a paixão não é patológica, ela é positiva. Não há mal algum em ter um coração volátil, estar bem resolvida e querer alguém para dar uns beijos na boca, curtir a vida e - quem sabe? - deixar a porta aberta para o amor. Mas, para isso, a auto-estima deve estar lá em cima.

Segundo uma pesquisa feita pela professora Cindy Hazan, da Universidade Cornell de Nova York, as substâncias que controlam este sentimento são encontradas juntas no corpo humano apenas durante as fases iniciais do flerte. Com o tempo, o organismo vai se tornando resistente aos seus efeitos, e toda a loucura e a atração vão sumindo. O casal, então, se vê frente a uma dicotomia: ou se separa ou habitua-se a manifestações mais brandas de amor - companheirismo, afeto e tolerância -, permanecendo junto. 
Vício: 

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ví.ci:o Substantivo masculino.
1.Defeito grave que torna uma pessoa ou coisa inadequada para certos fins ou funções.
2.Conduta ou costume nocivo ou condenável.
3.Prática irresistível de mau hábito, em especial de consumo de bebida alcoólica ou de droga.
Lendo esta definição, você provavelmente pensa em um dependente químico, certo? Como um alcoólatra. Ou até mesmo um jogador compulsivo. Mas já imaginou ser viciado em amor? Ou em alguém? Pois é, este vício também existe e se chama dependência emocional. A maior diferença é o fato de que as drogas, o álcool e até o jogo podem prejudicar muito a família da pessoa no percurso. Porém, se sofre com a dependência emocional, saiba desde já que a maior afetada será você.

Faça o teste e descubra se você é dominada ou dominadora. 


As atitudes, muitas vezes confundidas com sinais de afeto intenso e uma leve carência, também não serão apontadas como nocivas pelos outros. No final, cabe a própria pessoa avaliar se está passando dos limites, pois, algumas vezes, ‘amar demais' pode devastar vidas.
A dependência emocional é como qualquer outra: existe uma recuperação, mas não uma cura
Identificando o problema
Você deve estar se perguntando "mas como posso saber se estou apenas carente ou me tornei dependente?" Bem, uma das respostas já está na pergunta: ‘estar' indica uma situação transitória, uma fase, o que é diferente de ‘ser carente'. A dependência emocional se caracteriza pelo medo constante de estar só. A liberdade, tão valorizada por certas pessoas, de fato, aterroriza outras, que se submetem a quase tudo para não precisarem lidar com ela.
Uma das primeiras atitudes observadas é a omissão de opinião para evitar conflito. A pessoa começa a ‘sumir' na relação; sua vontade fica apagada. Discordar, então, nem pensar! A simples possibilidade de uma discussão mais acalorada gera a impressão de que pode levar a uma briga sem volta e, na mesma hora, aciona na mente o botão ‘perigo', sinalizando que a situação deve ser evitada ao máximo. Literalmente.
Rita Granato, psicóloga clínica e psicanalista, afirma que também é comum transferir o problema para o companheiro. "A mulher que ama demais desenvolve um comportamento inadequado. Ela nega sua dificuldade de se relacionar, culpando e acusando o parceiro. Não percebe que a opção de estar neste relacionamento é dela. Na verdade, sua doença faz com que sempre busque relações inadequadas e autodestrutivas", explica.
Desta forma, a pessoa usa o outro como uma droga para fugir de si mesma. A designer Sílvia Toledo admite que segue este padrão: "Tive quatro relacionamentos sérios, e, em todos eles me senti presa aos namorados. Tinha medo de ficar sozinha e achava que não tinha amigos para me fazer companhia. Acabava arrastando as situações, mesmo quando não havia mais amor", comenta ela.
Viva um dia de cada vez
De acordo com a doutora Rita, a raiz do problema está em relacionamentos conturbados vividos na infância, que promoverão padrões vitalícios. "A dependência emocional é como qualquer outra: existe uma recuperação, mas não uma cura. Quem é alcoólatra, será para sempre". Isto é importante para entender que o tratamento não se dará de um dia para o outro, mas sim, aos poucos. "Um dia de cada vez!", ela enfatiza.
Procurar uma terapia é o primeiro passo na luta contra estes modelos de comportamento, pois fará com que a pessoa recorde situações que possam tê-la moldado emocionalmente. Os temores e inseguranças devem ser trabalhados, e finalmente enfrentados. Para quem se sente acolhida participando de reuniões com outros que sofrem com os mesmos conflitos, existe o MADA - Mulheres que Amam Demais Anônimas, um grupo nos mesmos padrões do AA (Alcoólicos Anônimos), seguindo passos e realizando reuniões semanais em várias cidades brasileiras.

Dependência emocional 
E o amor?
Por Ana Brasil

O dependente emocional não muda suas ações sozinho; por estar acostumado a certos sentimentos, mesmo que sejam desconfortáveis, serão familiares. Assim, chega-se a uma das maiores razões que impedem o indivíduo de assumir a doença: achar que o que sente é amor, e que deve ser vivido assim, sofrido e sem limites. A doutora Rita é radical neste ponto. "Nunca foi amor. A pessoa com dependência não aprendeu o que é amar e ser amada. Ela precisa aprender e lidar com seus conflitos internos", afirma.
A jornalista Camila Reis também sofre com este mal. "Fui morar com meu namorado e achava que nosso relacionamento duraria a vida toda. Mas, como em outras relações, me afastei dos amigos e da família para mais atenção a ele. Mesmo quando nosso namoro já dava sinais de verdadeira ruína, eu não cogitava terminar", comenta. Ela fala ainda sobre esta sensação de desconforto. "Uma vez ele saiu para beber com amigos e voltou de madrugada. Um sentimento de raiva incrível queimava dentro de mim e sabia que o melhor a fazer era terminar o namoro naquele momento, mas não consegui. Achava que a situação poderia ter conserto", relata.
Se um indivíduo é capaz de amar produtivamente, também ama a si mesmo; se ‘só' puder amar os outros, não pode amar, em absoluto
Outro meio de começar a explorar seus receios e exercitar a autoconfiança é praticar muita leitura. Livros de auto-ajuda podem estimular a identificação através de situações semelhantes narradas e alternativas de saída. A doutora Rita cita uma interessante passagem do livro "A arte de amar", de Erich Fromm: "se um indivíduo é capaz de amar produtivamente, também ama a si mesmo; se ‘só' puder amar os outros, não pode amar, em absoluto".
Apesar de a forma de manifestação da dependência emocional mais comum ser através de relacionamentos amorosos, fique sabendo que ela pode ocorrer em vários âmbitos, como o familiar, o social, e até mesmo o profissional. O último, inclusive, é o que mais afeta os homens e ocorre quando o pavor de ser visto como mal-sucedido faz com que eles mantenham um emprego com unhas e dentes, se sujeitando a circunstâncias hoje caracterizadas como assédio moral. Ou seja, tolerando agressões e humilhações de chefes ou colegas de trabalho.
Com o avanço da mulher no mercado de trabalho, hoje muitas já passam por casos semelhantes. E as atitudes se repetem. Ou melhor, a falta delas: omissão de opiniões e incapacidade de lutar pelo que é certo. Do mesmo modo, a carência afetiva extrema pode levar ao desenvolvimento da dependência emocional em relação aos amigos (conhece aquela pessoa que não sabe dizer não, nem ao colega mais chato?) e familiares, principalmente os mais próximos, como os pais. Este caso é muito corriqueiro em ambientes onde a mãe com um filho é viúva ou separada. Possivelmente, o rapaz terá dificuldade em desenvolver relações amorosas, devido ao risco de sair de casa e abandoná-la.
Muitas vezes, o conflito será o diferencial entre o que é ou não saudável. Evitá-lo a qualquer custo não trará uma vida tranqüila e pacífica, mas apenas transformará a pessoa em uma máquina de agradar. Sempre presente, aceitando qualquer situação e alimentando cada vez mais a incapacidade de buscar o que se realmente quer: uma vida feliz, livre de sofrimentos internos, seja sozinha ou acompanhada.
Faça o teste
Teste para detectar dependência emocional (desenvolvido pela psicóloga Rita Granato)
Responda sim ou não:
1) Torno-me obsessiva com relacionamentos?
2) Nego o alcance do problema?
3) Minto para disfarçar o que ocorre na relação?
4) Evito as pessoas para ocultar o problema?
5) Repito atitudes para controlar a relação?
6) Sofro acidentes devido à distração?
7) Sofro mudanças de humor inexplicáveis?
8) Pratico atos irracionais?
9) Tenho ataques de ira, depressão, culpa e/ou ressentimento?
10) Tenho ataques de violência?
11) Sinto ódio de mim mesma e me auto justifico?
12) Sofro doenças físicas devido a enfermidades produzidas por excesso de estresse?
Se você respondeu afirmativamente a mais de três perguntas, é uma pessoa dependente emocionalmente.

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